sábado, 14 de janeiro de 2023

A FUNÇÃO DA ARTE

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: 

– Me ajuda a olhar! 

(Eduardo Galeano)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

AGENTE FOMOS NO SHOPPING

"Os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam até o centro. O tradicional passeio do fim-de-semana até o centro da cidade tende a ser substituído pela excursão até esses centros urbanos. De banho tomado, arrumados e penteados, vestidos com suas melhores galas, os visitantes vêm para uma festa à qual não foram convidados, mas podem olhar tudo." (Eduardo Galeano)

Moro numa cidade do interior cujo sonho de uma parcela da população é que tenhamos um shopping. A desculpa é que teríamos um cinema. Tanto desejaram que o cinema chegou! Na verdade, voltou, pois num passado não tão distante já tivemos 6 cinemas segundo um historiador local, dos quais eu só recordo do Cine Coliseu, onde assisti alguns filmes dos Trapalhões nas matinês com meu irmão. 

Sobre o templo do consumo, temos um comércio de rua com direito a algumas franquias e atacadões, que atendem de certo modo a essa expectativa dos personagens do texto acima.

Quanto a mim, nunca fui afeita a esse tipo de passeio/ambiente. Primeiro, porque quando mais nova não tinha dinheiro pra gastar, então não fazia sentido ir lá só pra desejar consumir e não poder. Hoje em dia só vou a um lugar assim se for mais prático para rever um amigo na capital ou se for comprar algo numa loja específica. Apesar de tudo, fica a dica: se viajar para um lugar novo e quiser garantir alimentação ou distração em dias de chuva, fique em hotéis próximos. Pelo menos, se nada der certo, o passatempo coletivo da sua viagem estará garantido.

sábado, 31 de dezembro de 2022

RETROSPECTIVA 2022

Em ordem aleatória, em 2022 eu:

Tomada de cansaço, bati meu carro.

Cuidei de uma gata atropelada que até hoje dá trabalho. 

Levei Tuca para passear durante 28 dias de tratamento.

Não viajei e saí pouco.

O trabalho não deu muito trabalho. 

Quase terminei a construção de uma casa.

Colhi muito tomate cereja.

Fui algumas vezes buscar Maria na escola e ouvi muitas histórias fofas.

Ouvi Isabela dizer as primeiras palavras.

Lula ganhou! Ufa... 

Descobri o artista da imagem acima ontem (Rafal Olbinski).

Ouvi e me apaixonei por "It's a long way" de Caetano Veloso numa cena da novela Travessia. 

Peguei chikungunya. Que vírus mal encarado! Socorro! Não desejo a ninguém essa praga!

Adotei como meu perfume do ano Carioca da Granado, não por acaso, rs!

PS: "e que a vida seja longa e tudo"!


terça-feira, 6 de dezembro de 2022

RESSACA DE SÉRIE

Nunca fui muito ligada em série tipo a galera que maratona e anseia pelas próximas temporadas e em toda esquina só se fala sobre. Série para mim é como assistir naquele dia o episódio e pronto. 

"Antigamente" era muito diferente, pois ninguém tinha noção de temporadas, nem se era completa ou incompleta. Apenas assistia, torcia por um personagem e se perdesse algum colega contava no dia seguinte na escola. Mas na modernidade líquida, mesmo eu que sou de outra geração, fiz a transição para o instantâneo, porque todo mundo acaba uma hora ou outra se acostumando à facilidade de ter 2 ou 3 "seasons" disponíveis e tantas outras opções boas ou ruins ali na tela. Digo isso pois é comum buscar, buscar, buscar e...acabar revendo o mesmo filme.

Sobre as séries, vi todos os episódios a "conta-gotas" Big Bang Theory, FBI, O Mentalista e Monk. Chega uma hora que a gente se apega ao personagem, torce, sofre e até tolera uns episódios sem graça. Pra não perder o mistério eu só costumo ler sobre a série quando acaba, pra realidade não atrapalhar a ficção. Inclusive, nas duas últimas vi muitos atores de Todo Mundo Odeia o Chris fazendo uma ponta e aprendi muita cultura inútil americana ou de investigação, modus operandi de serial killer, leis, comportamento, etc. Vira meio que uma mini novela com a vantagem de se poder assistir quando puder.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

MEU NOME É GAL II

Gal, musa da tropicália

Índia fa-tal 

Seja no Folhetim de Chico

ou no Azul de Djavan

ainda é preciso estar atento e forte

pra viver no Brasil de Cazuza

o Divino Maravilhoso de Gil te acolhe

como a Luz do Sol de Caetano

porque João Gilberto estava certo: 

você será (e foi) a maior cantora do Brasil!

(Flávia Jorlane)

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

PENSO NISSO AMANHÃ

"Quero é muita história pra poder contar, da vida nunca fugi. Mas se ela fica complicada, penso nisso amanhã."

 (Nico Rezende)

Na vida, de vez em quando, acontece tudo ao mesmo tempo. A gente quer um momento de sossego e não tem, uma pausa, um minuto de descanso e simplesmente não dá, não sobra tempo porque os problemas/demandas/desafios surgem um após o outro e interrompem a rotina com tudo, desfazendo o esquema que tanto planejamos.

Não precisa ser nada grave, e ainda bem que não é, mas são responsabilidades que estão sob nossa jurisdição e como cansam. Tratamentos longos de saúde, trabalhos inconclusos que geram "re-trabalho" e que tiram nosso tempo de meditar, pausar, fazer algo que gosta e é necessário pra manter a saúde mental em dia.

É um vai e vem na agenda, escolha do que vai ser primário, secundário ou prioridade. É muita coisa e essa seleção a todo instante tem que ser acompanhada de um "penso nisso amanhã" ou "nada é o fim do mundo", ou outros mantras de efeito para acalmar o coração. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

ANTEONTEM MUSICAL

Houve uma série da Globo chamada "Por toda minha vida" que deixou boas lembranças. Recordo dos episódios de Renato Russo, Nara Leão e resgatei esses dias o de Cazuza.

Lembro que quando eu tinha 10 anos "Faz parte do meu show" tocava muito no rádio por causa da novela Vale Tudo e do casal Afonso e Solange, injustiçados pela azeda da Maria de Fátima e seu comparsa César. Três anos depois "Codinome Beija-flor" tocou mais ainda tanto na novela na voz de Luiz Melodia, como na voz do próprio Cazuza. Antes disso, tínhamos uma fita K7 com um lado "Trem da Alegria" e outro contendo os sucessos do ano. "Exagerado" sempre tocava nas viagens, junto com outras internacionais como "I guess that's why they call it the blues". Como Mainha costumava comentar, a gente já sabia até o trecho da estrada que ia cantar! Rs

Mas voltando a Cazuza, no final de 1989 perdi um tio muito importante e referência na minha vida. Ele faleceu de AIDS quando o Brasil começava a falar disso. Acompanhar a luta de Cazuza foi como aceitar que essa doença era perversa e que não escolhia classe.

Ainda hoje ouvir Cazuza soa em meus ouvidos como algo atual, pela melodia e poética das letras. E me remete inevitavelmente à dor da perda de Tio Guilherme, mas ao mesmo tempo ao Brasil do Globo de Ouro, Clipes do Fantástico, Chacrinha e trilhas de novelas que me permitiram ter acesso a obras que fazem parte do meu recorrente anteontem musical forever and ever.