terça-feira, 15 de agosto de 2017

CHRISTIAN BOBIN



"Uma cama de luz,
uma cadeira de silêncio,
uma mesa em madeira de esperança, nada mais:
assim é o pequeno quarto de que a alma é locatária."

"Vamos aqui e ali, à procura de uma alegria por toda parte em migalhas, e o saltitar do pardal é a nossa única possibilidade de saborear Deus espalhado no chão."

"Aquele que espera é como uma árvore com os seus dois pássaros: solidão e silêncio. Ele não controla as suas expectativas. Ele move-se ao sabor do vento, dócil ao que se aproxima, sorrindo ao que se afasta. Enquanto espera, o início é como o fim, a flor é como o fruto, o tempo como o eterno."


segunda-feira, 17 de julho de 2017

DJAVANEANDO...


"Talvez essa priorização dada à sonoridade, perceptível em grande parte das canções de Djavan, seja a causa de algumas de suas músicas serem consideradas sem nexo ou demasiadamente sofisticadas. Se assim fosse,  como explicar a espontaneidade com que elas são cantadas  por milhares de pessoas em seus shows? Isso comprova a hipótese de que o povo, da mesma maneira que assimila a música descartável, é capaz de assimilar a poesia da boa música, e que essa poesia poderia atingir mais pessoas, se houvesse interesse por parte dos responsáveis pela escolha do tipo de música que deve ser maciçamente difundida."

*Cor, som e sentido: a metáfora na poesia de Djavan, Maria Heloisa Melo de Moraes, p.58, HD Livros

domingo, 2 de julho de 2017

MASTERCHEF: É TORTA DE LIMÃO OU CLIMÃO?


Mise en place, Surf and Turf, Fusion Food, vieiras (sou louca pra provar!), tomate confit (já aprendi a fazer), redução, deglacear, mirepoix, chutney, flambar, 7 ervas para temperar um bife, creme inglês, creme pâtissière, massa brisé, rabanada ostentação de brioche, cérebro gourmet entre muitas outras iguarias e termos, foi o que aprendi assistindo Masterchef desde a metade da primeira temporada.

Os comentários dos jurados são os mais variados e cada vez mais ácidos, dada a audiência do programa já ter sido das melhores; mas, é como assistir série: torna-se um vício porque a gente sempre quer saber o que mais vão inventar! Eis alguns exemplos de avaliações:

Menos é mais
Deprimente
Esquecível
Honesto
É correto
Horrível
Nem parece comida
Não é ruim, é muito ruim
É agradável
Seu prato, uma garfada: caixão e vela preta

O programa infla o ego dos participantes ao dizer: vocês agora chegaram no top 10! Vocês são os dez melhores cozinheiros amadores do Brasil. Vamos combinar! Teve participante que alegou não saber fazer café por causa da religião da mãe, a maioria foge da confeitaria como o óleo foge da água, alguns se dizem viajados e experientes em certos pratos e fazem uma lambança sem gosto. Tem os modernos que usam tudo quanto é utensílio, mas esquecem o sal, fora aqueles que sempre alegam estar fazendo o prato preferido do pai ou da mãe (fala sério, brasileiro é muito emotivo!).

Tem Ana Paula com aquela cara de "ai, se eles me dessem um pedacinho!", Paola fazendo a madrecita ou a madrasta da Cinderela, Fogaça sempre mandando a real e Jacquin mais ou menos ameno, porque pode até abrir franquia em breve ou fazer presença vip em churrasco na laje que vai tirar um trocado legal. E, além disso tudo, tem treta, muita treta...o jogo vai virando um Big Brother, a galera vai deixando cair a máscara, formando as panelas e descendo a colher de pau os bastidores. Esquecem que tudo vai ao ar, que tudo vira polêmica nesses tempos doentios de redes sociais, e eu não sei, sem vou assistir o show vergonha alheia que vai ser no reencontro após a final. Tenho certeza de que o que não vai faltar é tompero!


quarta-feira, 28 de junho de 2017

HARRY & SALLY

"Quando você percebe que quer passar o resto da vida com alguém, quer que o resto da vida comece o mais cedo possível."
(Cena final do filme Harry & Sally - Feitos um para o outro)






domingo, 25 de junho de 2017

SALLY & SNOOPY (ROUBANDO A CENA)



Como-eu-amo-você? Deixa eu contar as formas:

''Eu te amo do fundo da profundidade da altura que minha alma pode alcançar...como me sinto longe de ser a pessoa ideal.

Eu amo você ao nível das necessidades diárias...ao sol ou luz de vela.

Eu te amo livremente como um homem gosta de ser...Eu te amo puramente, como eles amam aos deuses.

Eu te amo com paixão como nunca amei ninguém, e com minha fé infantil.

Eu te amo com um amor que nunca achei ser possível.

Eu te amo com a respiração...sorriso, lágrima, de toda minha vida.

E, se Deus quiser, vou te amar mais ainda depois da morte!"

quinta-feira, 8 de junho de 2017

SPARKY & TRACEY


"Mas para ela, bem como para ele, era a possibilidade de uma parceria intelectual que mais os impelia...Outro aspecto, que como todos os outros, incrementava a intensa atração que sentiam, era a sensação de que eram irmãos de alma. Cada um tinha um lado competitivo, provocador; amos sofriam de ansiedade antecipada cada vez que sabiam que teriam que sair de casa e ataques de pânico quando se viam soltos no mundo; ambos adoravam ficar quietos, lendo livros, falando sobre arte e música, coisas que preferiam à qualquer jornada. Ele sonhava com as tardes de domingo; ela sonhava com as noites de domingo. Os dois tinham uma intensa autoconsciência...Quando o almoço terminou, Sparky deixou claro que tinha amado a conversa. Ele a acompanhou até o carro, cada um deles falando sobre seus livros e autores prediletos e riram quando, ao mesmo tempo, o nome de F. Scott Fitzgerald foi pronunciado por ambos". (Michaelis, David. Schulz & Peanuts: a biografia do criador do Snoopy, p.458)

sábado, 3 de junho de 2017

CARTAS DE AMOR DA CELA 92


Antes da morte, a vida lhe ofereceu um último presente. No fim de 1942, Dietrich Bonhoeffer conheceu Maria von Wedemeyer: uma jovem de 18 anos, que também pertencia à aristocracia luterana. Ele tinha 36 anos, mas não tinha renunciado à paixão. Quando pôde lhe escrever, lhe disse, "Posso falar simplesmente assim como eu sinto no coração? Eu entendo e estou subjugado pela consciência de que me aconteceu um presente sem igual. Depois de toda a confusão das últimas semanas, eu não ousaria mais esperá-lo, e agora esta coisa incrivelmente grande e alegre está aqui, e o coração se abre e se infla e transborda de gratidão e de vergonha, e não consegue ainda se dar conta deste 'sim' que decidirá toda a nossa vida".

Finalmente, em meio às ruínas da Alemanha, entre os mortos na Rússia, os bombardeios e os campos de concentração e os fuzilamentos, justamente agora, enquanto lhe parecia ter sido expulso da terra, Deus tinha lhe doado um espaço de felicidade sobre a terra. Maria era cheia de frescor, inteligente, sensível. Aguardava as cartas de Dietrich com uma felicidade extrema: esperava-as totalmente sozinha no seu quarto, onde cada livro lhe contava alguma coisa dele.

"Se alguma vez eu pudesse te descrever – dizia-lhe – que festa e que dia de alegria é para mim quando chega uma carta tua... É quase impensável que possa se tornar ainda maior. Talvez seja bom que a felicidade de ter-te se torne perceptível lentamente, senão eu não poderia suportá-la".

Bonhoeffer gostava muito da sua natureza. "Tu – dizia-lhe –, por sorte, não escreves livros, mas fazes, sentes, preenches com a vida real aquilo com o que eu só sonhei. Conhecer, querer, fazer, sentir e sofrer, em ti, não estão divididos, mas são uma grande unidade, e um é reforçado pelo outro. Tu não sabes disso, e isso é a melhor coisa: talvez eu não deveria nem te dizer isso".