“Eu não sou uma profissional, eu só escrevo quando eu quero. Eu sou uma amadora e faço questão de continuar sendo amadora. Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim…” (Clarice Lispector)
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sábado, 16 de novembro de 2013
MARRIAGE
O casamento foi há 24 horas, mas a casa ainda está cheia. É criança correndo, é vizinho, é parente, é a primaiada toda junta num jogar conversa fora que não acaba mais! É churrasco, é o resto de festa, é banheiro pra limpar, casa pra tentar manter, gente para atender, pratos intermináveis para lavar.
Me recolhi porque não tenho pique! "Sou de outra geração!" foi o que falei a minha mãe e às minhas tias que, mesmo após terem os filhos, parecem adolescentes querendo curtir a festa até o último instante. Após uma semana de preparativos, dias com os segundos contados e agendados, milhões de itens para conferir e adquirir, sem falar os "que bom que vc veio!", "sejam bem-vindos!", "garçon, sirva aquela mesa", "fulano, pode liberar os drinks", eu não aguento mais nada. Mas acabei de ouvir do meu quarto minha mãe avisar ao povo: "quem quiser, tem macaxeira saindo quentinha!"
Ufa!Não vejo a hora de tudo estar limpinho e no devido lugar, com todo respeito aos que vieram de longe ou de perto! Definitivamente, tá na hora de morfar!!!
domingo, 10 de novembro de 2013
SOB CONTROLE
"Para termos novamente o controle, às vezes precisamos abandoná-lo."
(Episódio 3x04 - Revenge)
(Episódio 3x04 - Revenge)
Deixar pra lá, esquecer, abandonar... quando conseguimos uma vitória com muito esforço sempre são exaltadas a dedicação e a persistência. Mas há coisas em que o esforço soa como anti-natural, como algo forçado, meio que obtido por osmose. Na osmose, o solvente passa do meio menos concentrado para o mais concentrado através de uma membrana semi-permeável. Diz o ditado que água mole em pedra dura tanto bate até que fura... humm, nem tanto assim!
A persistência serve para muitas coisas e fazer as coisas até o fim forja a maturidade. Completar tarefas sempre me dá prazer, muito mais que iniciá-las. Aprender que nem tudo se resolve, se conclui, se conquista ou se encerra é algo que hoje procuro encarar sem dramas. As tempestades, de fato, após 3,5 décadas não se formam mais em copos d'água, as feridas não se reinflamam mais só com um leve toque. Até mesmo a tecnologia tem sua sabedoria quando diz "não foi possível completar a sua ligação" e nos faz esperar mais um pouco.
Obras inacabadas também tem valor, diários incompletos também são publicados e, como canta Beto Guedes, abelha fazendo mel vale o tempo que não voou. No fim de sua vida, a famosa escritora Clarice Lispector doou-se por inteiro e escreveu até a véspera de sua morte a obra Um Sopro de Vida, de onde extrai essa pérola, que me ensinou que desistir, às vezes, é mais prudente do que insistir.
"Saber
desistir. Abandonar ou não abandonar — esta é muitas vezes a questão para um jogador.
A arte de abandonar não é ensinada a ninguém. E está longe de ser rara a
situação angustiosa em que devo decidir se há algum sentido em prosseguir
jogando. Serei capaz de abandonar nobremente? ou sou daqueles que prosseguem
teimosamente esperando que aconteça alguma coisa?(...) Eu não quero apostar corrida comigo mesmo. Um fato."
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
MOTO-CONTÍNUO
"Eu sempre sonho que uma coisa gera,
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera."
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera."
(Adélia Prado)
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
EU SOU NEGUINHA?
"é o que parecia
que as coisas conversam coisas surpreendentes
fatalmente erram, acham solução
e que o mesmo signo que eu tento ler e ser
é apenas um possível e o impossível
em mim, em mil, em mil, em mil, em mil
e a pergunta vinha:
eu sou neguinha?"
(Caetano Veloso)
que as coisas conversam coisas surpreendentes
fatalmente erram, acham solução
e que o mesmo signo que eu tento ler e ser
é apenas um possível e o impossível
em mim, em mil, em mil, em mil, em mil
e a pergunta vinha:
eu sou neguinha?"
(Caetano Veloso)
Quem mandou a menina lá de Itabuna cantar essa música no The Voice e o povo "das cadeiras" não virar? Letra comprida e cumprida com rigor, a candidata toda nos trinques, o maior vozeirão e nada! A plateia daqui de casa só faltou jogar ovo, tomate podre nos jurados, pra não falar do que xingou de abestalhados, tapados, etc. Infelizmente, valoriza-se mais o que vem de fora, como R&B, Rock e as Beyoncé da vida, e a brasilidade fica só no discurso.
Agora estou eu aqui com um monte de notas musicais impregnadas na minha cabeça, já ansiosa pelos combates que começam semana que vem! Que vença o melhor, ou o que a gravadora e a Globo preferirem!
sábado, 26 de outubro de 2013
BOLSA-WHISKAS
Recentemente, com a casa ficando mais vazia, só tem restado o início de tudo, Farturinha (que só falta falar) e os gatos agregados. Comentários do tipo: "Eita, gata besta!", "Ei, seu maluco! Não bata na sua irmã!", "Vamos virar sócios da Whiskas" são comuns, por conta de Branquinha e Raposinha, nomes melhores dados pelo meu pai às irmãs de Farturinha, novamente frutos do abandono de Miséria. Eu prefiro chamá-las de Miserinha e Penurinha, porque são a réplica da primeira geração de gatos em reabilitação que apareceram na laje do "almoxarifado" de painho.
Que meus pais são uma resenha, isso quem convive já sabe. Aparentemente, pessoas sérias, educadas, polidas, mas quem um dia assistir TV ou passar a frequentar a casa para um cafezinho sabe que vai dar muita risada e ouvir muitas histórias. Que o digam Alan, Juanita, Luan e cia, que já foram incorporados ao clã de comediantes não descobertos. Logo, comentários como esses citados acima são comuns, e até acho que os vizinhos não entendem nada e me divirto atiçando a curiosidade alheia.
Voltando aos felinos, entre os gatos agregados estão um siamês (que só pode ser o pai das gatinhas), um pretão fofo de olhos verdes e outro que é o maior gato que já vi ao vivo, nomeado por todos nós de Fofão. Eles ficam transitando entre o nosso quintal e o telhado da vizinha, sempre dispostos a pegar uma briga feia (de voar tufos de pelos) com nosso gato-mor e comer a ração que damos para as menores abandonadas. Não bastasse toda essa trupe, apareceu essa semana um gato cinza enorme, gordo, de olhos azuis e pelo macio. Meu pai, correndo o risco de levar umas unhadas, já tratou de pegar o gato para me mostrar e minha mãe logo alertou na maior tranquilidade: "esse gato é gordo, esse gato não é besta, tá bem querendo passar férias aqui em casa". Dei muita risada e só me restou cantar:
"Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás."
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás."
(Chico Buarque)
PS: Se Fartura já se estressa com as irmãs, imagine o UFC que vai acontecer quando ele cruzar com o novo encanto de meu pai. Rifocina pra que te quero!
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
MEMÓRIA
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
GET LUCKY in BOSSA NOVA
Não é novidade que a Bossa Nova influencie artistas até hoje, sejam eles dos mais diversos gêneros. Só não imaginava que Get Lucky caísse nas graças desse grupo e ganhasse uma versão lounge tão gostosa de se ouvir.
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