segunda-feira, 21 de outubro de 2019

VERSÕES QUE AMO #2: SARAH VAUGHAN

Continuando na linha dos gringos que nos amam, meu caro amigo Youtube me apresentou há us anos atrás a lindíssima versão Bridges de Travessia do Milton Nascimento, gravada por Sarah Lois Vaughan ou a "divina do jazz", que era apaixonada por música e músicos brasileiros. Em 1978 ela lançou essa versão no disco feito com músicas de Milton, Dori Caymmi, Tom Jobim e Marcos Valle, intitulado "O Som Brasileiro de Sarah Vaughan", primeiro da trilogia seguido por “Exclusivamente Brasil” (1979) e “Brazilian Romance” (1987). Segue o relato detalhado do disco e das gravações aqui, além da versão feita pelo letrista Gene Lees:


I have crossed a thousand bridges
In my search for something real
There are great suspension brigdes
Made like spider webs of steel
There are tiny wooden trestles
And there are bridges made of stone
I have always been a stranger
And i've always been alone

There's a bridge to tomor...row
There's a bridge from the past
There's a bridge made of sorrow
That i pray will not last
There's a bridge made of colors
In the sky high above
And i think that there must be
Bridges made out of love

I can see her in the distance
On the river's other shore
And her hands reach out longing
As my own have done before
And i call across to tell him
Where i believe the bridge must lie
And i'll find it, yes i'll find it
If i search until i die

When the bridge is between us
We'll have nothing to say
We will run through the sun light
And i'll meet him halfway
There's a bridge made of colors
In the sky high above
And i'm certain that somewhere
There's a bridge made of love

No artigo do El País intitulado "A travessia de Milton Nascimento" há as seguintes curiosidades sobre a obra-mãe: "o título de Travessia, canção com letra de seu amigo Fernando Brant, foi extraído do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa: é a última palavra do livro. Com ela Milton Nascimento se apresentou no Festival Internacional da Canção (FIC) e se tornou conhecido no Brasil. Existem gravações de Travessia em inglês, Bridges, de Sarah Vaughan, Tony Bennett ou Björk. Também foi cantada por Elis Regina, que chegou a dizer que, se Deus tinha voz, era a de Milton." Apesar desses vários intérpretes, ainda me encanta a química do grande encontro desses dois monstros que souberam fundir suas vozes nessa linda e única versão.




VERSÕES QUE AMO #1: THE MANHATTAN TRANSFER

Eu sou uma pessoa declaradamente amante da arte "música", mas como já mencionei aqui no blog algumas vezes eu não cresci tendo acesso a discos nem vitrolas. Quando eu tinha oportunidade de pegar num disco na casa de alguma colega da escola, eu lia a ficha técnica, cada letra de música e até o que vinha escrito no meio do bolachão. Eu tratava o disco como se fosse uma relíquia, o que na verdade são para mim até hoje.

Muito tempo mais tarde com a chegada da internet foi que eu pude descobrir que muitas canções que amo são versões muito bem feitas (outras nem tanto!) por pessoas que são feras nisso, e que eu vi o nome se repetindo nos encartes. Nos discos da Xuxa e Patrícia Marques, por exemplo, só dava Michael Sullivan e Paulo Massadas. De Smoked in your eyes de Ray Conniff a Black Orchid do Steve Wonder, para público infantil ou para os melo-românticos, esses caras estavam em tudo!

Com a chegada do Youtube a minha busca só aumentou, e tenho feito novas descobertas e tenho tido gratas surpresas, pois a música é universal e as letras e ondas correm numa pista de mão dupla. Foi assim que acabei cruzando com Esquinas de Djavan numa versão intitulada "So You Say" gravada em 1987 pelo grupo vocal americano The Manhattan Transfer no álbum Brasil. A versão feita por Amanda McBroom ficou bem parecida, e o instrumental e vocal à altura, dando ênfase ao sentimento de solidão e reflexão que a obra transmite.





So you say
It's a feeling I'll get over someday
So you say
So you say
I should try
Just to let the flame inside me die
I should try
So you say
Against the wind
With my face turned to the empty side
Of loneliness
Midnight black and blue
So you say
That the world will keep on turning
So you say
So you say
Tell me why
All the stars have lost their mystery now
Tell me why
Tell me how
Where love has been
The taste of wine
Seems to linger on like distant perfume
And all of the memories
Carelessly left behind
Ghosts and lies
They haunt me wherever I go
So you say
That the pain of love will pass away
So you say
So you say
Before goodbye
I look for the fire behind your eyes
But they're cold as ice
I hear in your voice
The echo of love that's gone by
Now I cry
I'll love you for all of my life
So you say
It's a feeling I'll get over someday
So you say
So you say

Segundo Adriana Fiuza Meinberg em seu artigo "A tradução da canção popular", "à primeira vista, tem-­se a impressão de a tradução ter ignorado por completo a letra da canção original criada por Djavan, o que restringe a análise do trabalho de versão ao aspecto conteudista. Contudo, um olhar menos apressado acaba nos revelando que a versionista optou por realizar uma tradução homofônica, privilegiando a sonoridade do texto poético da língua de partida e marcando o valor atribuído à música que acompanha esta letra...A versionista, percebendo a função fundamental deste verso, optou por traduzi-­lo pelo verso So you say, mantendo a homofonia, elemento por ela eleito como aquele a ser privilegiado em sua versão.

domingo, 29 de setembro de 2019

ESCRITORES E SEUS GATOS #5


"Nós não tínhamos gatos, mas minha mãe dava de comer a gatos vadios que se juntavam ali na nossa grande varanda. Eu tinha relação muito próxima com esses bichos, comia com eles, dormia no chão em que eles se enroscavam. Eu pensava que era um deles. E por isso impus aos meus pais esse nome de “Mia” como celebração desses felinos. Olhando para trás eu acho que procedi bem porque baguncei essa fronteira de identidades que nos é tão cara e que traça um limite entre o humano e não humano. Eu amo os bichos por ser parte deles." Mia Couto

ESCRITORES E SEUS GATOS #4


“Os gatos oferecem para o escritor algo que os outros humanos não conseguem: companhia que não é exigente nem intrometida, que é tão tranquila e em constante transformação quanto um mar plácido que mal se move”.
Patricia Highsmith

sábado, 28 de setembro de 2019

ESCRITORES E SEUS GATOS #3


"Um gato tem honestidade emocional absoluta: os seres humanos, por uma razão ou outra, pode esconder os seus sentimentos, mas o gato não."
Ernest Hemingway 

ESCRITORES E SEUS GATOS #2


“Ele fixaria em Deus aquele olhar de esmeralda diluída, uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gato não obedece. Às vezes,quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a instintiva humildade do cachorro, o gato não é humilde, traz viva a memória da liberdade sem coleira." Lygia Fagundes Telles

ESCRITORES E SEUS GATOS #1


“Tudo sei, a vida e o seu arquipélago,
 o mar e a cidade incalculável, 
a botânica 
o gineceu com os seus extravios, 
o pôr e o menos da matemática, 
os funis vulcânicos do mundo, 
a casca irreal do crocodilo, (…) 
mas não posso decifrar um gato”. 
Pablo Neruda