segunda-feira, 31 de agosto de 2026

OS PERFUMES DA TERRA

Lá vem eu falar novamente de perfume. Mas quem mandou a perfumista Mônica Rosseto "recitar" um texto da enigmática Clarice Lispector sobre esse tema que amo desde que me conheço por gente? Recordo de meus primeiros aniversários onde a minha alegria era a mesma se eu ganhasse livros, brinquedos ou perfumes e sabonetes. Tinha um que vinha envolvido numa espuma. Já procurei muito em sites que trazem relíquias dos anos 80 e não encontrei ainda. E antes que os puristas venham querer diferenciar os termos comercias, sim eu sei bem o que é colônia, EDT, etc. O que importa mesmo é o cheiro, que como Clarice diz, depende também da pessoa, o que traduzindo seria quase como uma questão de personalidade, além de ser também tecnicamente uma questão de pele e de percepção olfativa. 

Ficam assim o trecho abaixo e a questão: qual era o perfume preferido de Clarice? No site do Estúdio Olfativo Goodsmell a sugestão é que seja o Vert et Blanc da Maison Carven, classificado como Chipre Floral de 1958, segundo o site Fragrantica. 

“Já falei do perfume de jasmim? Já falei do cheiro do mar. A terra é perfumada. E eu me perfumo para intensificar o que sou. Por isso não posso usar perfumes que me contrariem. Perfumar-se é uma sabedoria instintiva. E como toda arte, exige algum conhecimento de si própria. Uso um perfume cujo nome não digo: é meu, sou eu. Duas amigas já me perguntaram o nome, eu disse, elas compraram. E deram-me de volta: simplesmente não eram elas. Não digo o nome também por segredo: é bom perfumar-se em segredo.”



terça-feira, 28 de julho de 2026

O QUE SERIA DA VIDA SEM POESIA?


Revirando umas gavetas achei uma caixa de perfume que resisti a descartar por causa da arte e do texto escrito. O perfume é o Anni do Boticário, na versão antiga que era muito melhor que a atual. O frasco também era autoral, diferente de tudo e é uma pena que a marca tenha feito uma pasteurização do design e não mantenha o que hoje poderia ser um clássico, como as marcas internacionais fazem. Os textos vinham distribuídos ao longo da caixa, com o título do post dando início aos recortes que diziam:

"Poemas...poemas escritos, nos livros, nos blogs, no coração. A beleza de cada palavra, o sentido de cada palavra, o sentido de cada frase, o pensamento lapidado, cristalizado, eternizado.

Gosto de comparar poesias com perfumes. Eles eternizam momentos, me transportam em pensamentos e recordações. É uma verdadeira mágica. A transformação de palavras em poemas e de acordes em essências alimenta minha vida e minhas emoções.

Eu me inspiro, me emociono, me descubro, me expresso...eu escrevo para que a razão dê espaço à imaginação."

Fica aqui o registro dessa lembrança e o agradecimento ao design.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

SE PESAR MUITO, NÃO CABE MAIS!

 Estava refletindo sobre a máxima que diz que "ninguém é insubstituível". Aprendi essa frase, e continuo aprendendo a lição, há muitos anos atrás numa jornada pedagógica, naqueles bilhetes colados num bombom que quase todo professor recebe nesses eventos. Nela falava-se do Sol imponente pondo-se atrás dos montes e perguntando quem o substituiria, ao passo em que uma humilde lamparina de barro respondeu que faria o melhor que pudesse. Pesquisando mais agora, descobri que essa parábola é atribuída a Tagore e no final do bilhete vinha a frase já citada. Parecem coisas aleatórias, mas eu nunca me esqueci. E pra ser mais aleatório ainda, pensei em escrever esse post por causa de um trecho de "Música Urbana" de Capital Inicial e das reflexões que ando fazendo sobre pessoas que entraram e saíram da minha vida e o mundo não se acabou. Muito pelo contrário, ao sair deram espaço pra que outras chegassem. Fui atrás da letra, porque o que Dinho canta nem sempre dá pra entender, e me deparei com:

"Não me importam os seus atosEu não sou mais um desesperadoSe eu ando por ruas quase escuras, as ruas passam..."

E não é somente sobre pessoas, mas coisas, serviços, sistemas, situações, hábitos: tudo um combo de fatores que estão na nossa rotina fazendo-a funcionar como queremos ou como precisamos. Mas tem horas que a gente precisa entender que alguma peça da engrenagem está gasta, que até daria pra botar um óleo, mas é melhor substituí-la. E é isso que não tenho mais medo de dizer adeus ou vamos parar por aqui, sem levar pra o coração nem gerar ressentimento, porque meu emocional desgastado não é passível de ressarcimento. 

quinta-feira, 26 de março de 2026

MINHA MÃE CARIOCA

Sabe quando a gente revira papéis numa gaveta e encontra um pedaço com algo escrito por uma pessoa muito querida? Foi o que aconteceu comigo ontem. Fui conferir a data de aniversário numa agenda antiga e lá estava o dia dela, 26 de março, e um papel com números de telefone. Na hora só pensei em guardar de lembrança, pois não temos uma foto juntas, embora ela seja minha mãe carioca e uma super amiga que tanto cuidou de mim no Rio.

Era 2002 e eu estava fazendo mestrado e me sentindo muito sozinha, morando novamente em casa de parentes e sem conhecer ninguém no bairro. Uma amiga psicóloga sergipana "telefonou" e notou, sem eu dizer uma palavra, que eu não estava bem. Na mesma noite um primo dela ligou, se apresentou e marcou pra gente sair. E dessa saída veio o convite pra um evento da igreja mais adiante, onde a providência disfarçada de coincidência fez com que Cleber, aspirante a seminarista, me levasse em casa e me apresentasse ao padre Paulo Hamurabi. Este, recém chegado à Paróquia de Santa Rita de Cássia, me convidou para o serviço paroquial e eu fiquei de pensar. 

Como o cenário não mudava e o estranhamento e o choque cultural persistiam, decidi fazer uma experiência na Pastoral do Batismo após ver uma celebração bem diferente das que já tinha visto. E como eu vou sempre atrás do que eu quero, fui na secretaria que me indicou o "Manel" do bazar, que indicou uma certa Dona Márcia. Lá vou eu bater palma na casa de uma completa estranha e me apresentar. E o papo que era ela dentro de casa e eu a uns 4 metros depois na calçada foi melhorando e encurtando a distância, até que um dia ela abriu o portão e eu fiquei na varanda, e alguns encontros depois finalmente adentrei na sala. É como eu costumo dizer: são os estágios do carioca, que depois que lhe aceita te considera da família. 

E assim eu fui ficando, participando das festas, aprendendo expressões que eu não esqueço como "mentirinha santa" e "voz de Taquara rachada", pra não falar das inesquecíveis receitas de bolo Hulk, a sopa de entulho, a farofa de biscoito e o pão dormido que ela me dava. Foi ela quem me ajudou quando eu precisei urgentemente de um novo teto e Deus novamente quis me dar um presente, fazendo com que a dona da casa dos fundos de Márcia, Delei e Juliana cedesse e alugasse a casa para uma estudante baiana. Foi o ano e meio mais feliz da minha estadia no Rio. Nos víamos todos os dias e tinha até uma grade nos fundos que a gente economizava a passada e ficava trocando figurinha até tarde da noite. 

Por tudo que você foi na vida de muitos, sei que você está em um bom lugar, minha querida Márcia cujo sobrenome "Generoso" estava impresso no DNA dessa alma nobre que me acolheu e que me amparou quando eu mais precisei. E como costumávamos brincar, se a vida lhe oferecer flores, escolha as rosas sem espinho do jardim da Dona Márcia!

domingo, 1 de março de 2026

RUA PRIMEIRO DE MARÇO

Hoje olhei a data no celular e lembrei de uma rua que frequentei por 6 anos e meio, que leva o nome do título dessa postagem, mas que já se chamou Rua Direita. Definitivamente, esse é um dos meus lugares preferidos no Rio de Janeiro, que eu chegava vindo da Uruguaiana ou da Presidente Vargas e saia perambulando até alcançar a Rua do Ouvidor, que abrigava uma enorme Livraria Saraiva.  Nessa andança, percorria apenas do CCBB ao Paço Imperial, avistando a imponente Alerj ao lado deste. 

O rolê começava na primeira sede do Banco do Brasil ou no já citado CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), perpendicular à Igreja da Candelária, onde assisti a inúmeros concertos, mas nunca me arrisquei a seguir para as bandas do Mosteiro de São Bento, onde só em grupo fui a um concerto de harpa num domingo ermo. Loucuras que eu fazia confiando no meu anjo da guarda, rs. Fechando a tríade tem antiga sede da Alfândega, posteriormente Casa França-Brasil e atual Casa Brasil, onde a programação cultural gratuita completava o primeiro bloco do passeio.

Seguindo em direção ao Paço Imperial, local do histórico Dia do Fico e da assinatura da Lei Áurea, via algumas igrejas sempre fechadas. Somente uma vez vi a igreja da Sé aberta para o casamento de uma celebridade. Do ponto de ônibus, esquina da Praça XV, onde  eu pegava o 298 Castelo-Acari via a movimentação dos fotógrafos e dos curiosos, mas era só isso mesmo. Diferente de tantas que há no Centro do Rio, nunca as vi abertas para visitação ou algum rito católico comum, salvo a Igreja São José que só entrei já perto de me despedir da cidade maravilhosa. 

(Em construção)



terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

ERIKA RÚBIA SOBERANA GUIMARÃES E O QUE ELA QUISER SER!

"E a vida tão generosa comigo, veio de amigo a amigo, me apresentar a você". (Jorge Vercillo)

Tem pessoas que surgem na nossa vida no momento exato, e mesmo entre idas e vindas, nunca mais sai, porque escolheu ficar. Foi  assim que aconteceu a minha amizade por Erika, que minha mãe e irmãs chamam carinhosamente de Erikinha sem nem terem convivido tanto com ela, mas apenas por saberem de sua existência. 

Tudo começou em 1995, quando não existia celular nem internet e a comunicação era realmente orgânica e espontânea. Acho que tive muita sorte, pois uma prima cismou de me falar que a amiga da escola tinha uma prima chamada Erika que cursava Engenharia Química na UFS. Logo depois, voltei para as aulas em Aracaju e eis que na chamada o professor chamou uma Erika. Como eu sabia que a turma era mista, me aproximei e perguntei àquela menina que sempre usava saia (o que significava uma possível coincidência, pois ela era Adventista) se ela era prima de Aldenice. E não é que era mesmo! Aí eu grudei logo, pois sendo ela de PA entenderia a dimensão da minha saudade e da adaptação à vida na capital. 

Mas na turma também surgiram outras amizades de uma vida inteira que me salvaram daquela solidão de livros e de estranhamento do novo, da diversidade e do vai e vem de gente diferente e anônima. E a gente só se esbarrava meio ao acaso uma vez perdida, mas era sempre bom e a gente sempre tinha assunto que ficava devendo pra o próximo encontro que Deus haveria de providenciar. E nesse ritmo incerto, a gente nunca se separou. De lá pra cá, foram muitas risadas, lágrimas, conquistas, blogs, letra de música e poesias. E como somos de Exatas, poderíamos até dizer que nossa relação daria uma constante do SI, rs.

Espero que nos próximos dias, meses e anos venham mais e mais sonhos realizados e objetivos alcançados, e que eu possa continuar fazendo parte da sua vida, mesmo a 280 km de distância, mas testemunhando as bênçãos do Senhor em quem sempre esperamos e que nunca nos decepciona. Feliz aniversário, amiga!

sábado, 31 de janeiro de 2026

A QUIETUDE É A CHAVE

 "Uma criança sossegada, deitada de bruços...As nuvens passando sobre as asas de um avião, seus exaustos passageiros pegando no sono. Um homem lendo em seu assento, uma mulher dormindo. Uma comissária de bordo descansando os pés."

Ganhei o livro que intitula esse post de uma amiga querida, ex-aluna, que chegou e nunca mais saiu de perto. Mantivemos essa amizade por cartas ou email, depois SMS, WhatsApp. Porque quando as pessoas querem elas dão um jeito de se encontrar mesmo à distância.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

DIA DO GATO PRETO

 "O gato preto cruzou a estrada", mas outros simplesmente chegaram por abandono das mães ou dos humanos mesmo. E assim, nesse dia dedicado ao gato preto, venho citar os meus felinos dessa cor, cuja personalidade sempre foi calma e terna. Minha saudade hoje vai pra Bolo e Pescoço, que partiram de forma trágica, mas foram felizes e brincaram muito enquanto viveram.

Atualmente cuido de Bolinho, Rabo de Nó (nosso vovô de 10 aninhos), Zeca (o mais dengoso e quebrou o paradigma de me fazer dormir com gatos) e Black, que literalmente cruzou a estrada e trouxe de brinde Friday, um frajola tão manso que ganhou um segundo nome: Menino Bom! Mas que na primeira aventura nos telhados se perdeu e não voltou mais. 

Fica aqui a dica de adoção e contra o preconceito a meus "negros gatos": são companheiros leais, amorosos e amam um dengo. Sorte de quem adotá-los!

domingo, 1 de junho de 2025

COMO LIDAR COM A FALTA DE APOIO FAMILIAR?

Seja seu próprio apoiador:

  • Concentre-se em seus pontos fortes, pratique a gentileza consigo mesmo e procure manter um diálogo interno positivo. 
  • Busque apoio em outras redes:
    Estabeleça conexões com amigos, grupos de apoio ou comunidades que compartilhem seus interesses e valores. 
  • Defina limites:
    Aprenda a identificar e comunicar seus limites em relação aos membros da família que não oferecem apoio. 
  • Procure ajuda profissional:
    Se a falta de apoio familiar estiver causando sofrimento emocional, considere buscar apoio de um terapeuta ou psicólogo. 
  • Priorize o autocuidado:
    Crie hábitos de autocuidado que promovam seu bem-estar físico e emocional, como exercícios, meditação ou hobbies. 
  • Lembre-se da importância da resiliência:
    Desenvolver a capacidade de lidar com as adversidades e superar as dificuldades é fundamental para lidar com a falta de apoio familiar. 
  • Busque alternativas para construir uma rede de apoio:
    Explore grupos de apoio, comunidades online ou até mesmo grupos de mães/pais que possam oferecer suporte emocional e prático. 
  • Não se compare com outros:
    Cada família e cada indivíduo tem sua própria dinâmica, e não há uma maneira "certa" de ser apoiado. 
  • Comunicação é fundamental:
    Se você está abertamente comunicando a necessidade de apoio e não o está recebendo, considere procurar ajuda para lidar com a comunicação familiar ou mesmo optar por um distanciamento emocional, se necessário. 
  • Cuide da sua saúde mental:
    A falta de apoio familiar pode ter um impacto significativo na saúde mental, por isso, é importante estar atento a sintomas de depressão, ansiedade ou outros problemas emocionais e buscar ajuda profissional se necessário. 
  • Não se culpe:
    A falta de apoio familiar não é culpa sua. É importante lembrar que nem todos os membros da família conseguem ou querem oferecer o suporte necessário. 
OBS: Texto gerado pela IA em busca no Google com a tag "quando não temos apoio na família".

PELO AVESSO

 "Muitas vezes as mulheres se sentem estranhas no mundo. Elas conhecem a sua dupla origem. Tem a sensação de que vieram de um outro mundo. Para os homens muitas vezes a mulher é um ser impenetrável, que eles não conseguem entender, e que apesar de toda proximidade e toda fascinação permanece estranho. A estranha é uma imagem arquetípica. Quando as mulheres se confrontam com essa imagem elas se entendem melhor e aprendem a se equilibrar. Não precisam se desculpar por terem vindo de um mundo diferente do ambiente superficial do mundo no qual vivem. São gratas pelo mistério que abrigam, pelo que é estranho, desconhecido, indescritível nelas. É o que constitui a sua dignidade." (Anselm Grum - Rainha e Fera: mulher, seja o que você é!)

domingo, 20 de abril de 2025

LICENÇA PARA DORMIR

"De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. (...) Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. (...) Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico."

Li essa crônica de Clarice Lispector e selecionei recortes que me lembraram períodos terríveis de insônia, onde nenhum remédio fez o devido efeito sem me deixar grogue no dia seguinte ou exausta de um sono automático. Infelizmente, muitos podem ser os fatores. No meu caso foi stress, preocupação e, por fim, disfunção da tireoide. 

Dá um certo desespero quando os dias se passam e isso não se resolve, acordar no meio da noite e lembrar que 7h tenho que estar no meu trabalho conduzindo uma sala de aula. E a pessoa aqui tentou de tudo, de fitoterapia aos óleos essenciais, mas uma mente que não desliga infelizmente manda no organismo. Esse post não é de utilidade pública, mas eu digo logo a todo mundo que se queixa: não deixe que ela se instale e procure logo ajuda. Busque a higiene do sono, boas leituras, reduza o estímulo das telas, faça terapia, consulte um bom médico e se não gostar, procure outro, mas não fique só é insônia nessa.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

ADEUS 2024

"O último dia do ano não é o dia do tempo", diz Drummond num poema mais complexo que o instagramável Receita de Ano Novo. A espiral do tempo cumpriu um ciclo mais uma vez e parece que girou bem rápido, mas rápido até demais.

Ficam as lembranças nesse ano de tantos revezes, idas e vindas, de cinco pessoas especiais que partiram. Algumas aos poucos, outras de repente, mas tão de repente que até hoje penso que irei reencontrá-las. Como esquecer Dolores e nossas tiradas ácidas, tio Daniel e sua doçura, Alex e seu riso fácil, Dona Márcia "minha mãe carioca" e suas receitas e conselhos sábios? Pra terminar esse leque de perdas, como entender que Marisa não está mais aqui se estava comigo o tempo todo? Minha irmã preta de alma colorida, que me ensinou boa parte do que sei da vida, onde quer que você esteja, que esteja cercada de luz e amor.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

NOVELA DAS SEIS

Eu pedi, você pediu, todos pediram e História de Amor finalmente entrou no catálogo do Globoplay. E cá estou eu maratonando uma novela "de Helena" de Manoel Carlos e seu Reino Unido do Leblon e adjascências. Não assisti em 1995, pois não tinha TV e estava quase sempre na faculdade, mas ouvia as músicas no rádio e anos mais tarde conheci alguns dos personagens em alguma reprise do Vale a Pena Ver de Novo, que também assistia esporadicamente. 

A sensação foi tão nostálgica que listei coisas interessantes que fui registrando ao longo dos 209 capítulos. Mas não se espantem, pois como somos advertidos no início de cada capítulo: 

"Essa obra reproduz e comportamentos e costumes da época em que foi realizada."

1- A transição da fita K7 para o CD

2- Os celulares que só os ricos tinham

3- A chegada dos computadores e os cursinhos de informática 

4- Filme para máquina fotográfica

5- Porta sanfonada de plástico como divisória em flat chic

6- Ouvir rádio no Walkman

7- Gravação de programas de TV no videocassete

8- Mandar msg e docs por fax

9- Pagar com cheque pré-datado

10- A popularização do cartão de crédito com propaganda do extinto Bamerindus 

11- Atores posteriormente famosos que apareceram em uma cena/frase apenas

12- Muita cerveja Antártica em qualquer dia de trabalho ou folga da semana 

Como disse Regina Duarte em um entrevista, a novela poderia virar uma série. E realmente, parece uma série dessas boas de maratonar. Salvo os diálogos extensos, todos tiveram um papel e conseguiram como protagonistas ou coadjuvantes serem queridos da mesma forma. 

Veja mais curiosidades no link abaixo:

https://blogtvenovelas.wordpress.com/2021/03/01/nostalgia-da-tv-25-anos-de-historia-de-amor/


domingo, 15 de setembro de 2024

DE CLARICE PARA TANIA

Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro…há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu…Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões – cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma. 

Clarice Lispector (1947 Berna – Suiça /Carta à irmã Tania Kaufmann)

sábado, 17 de agosto de 2024

POESIA PELOS 14 ANOS DE IFBA

No véu tênue da manhã, Flávia caminha
Pelo jardim da ciência, onde as flores são fórmulas,
Onde os ventos sussurram segredos de átomos.
A mente dela, um oceano calmo, reflete
A Tabela de Linus Pauling, onde números dançam,
Um balé de eletronegatividade, de força invisível.

Entre magnólias e marfim, Flávia contempla
O paradoxo da matéria, que não é só massa,
Mas atração e repulsa, amor e aversão.
Ela lê os números como se fossem versos,
Cada valor uma nota, uma vibração no ar,
Contando histórias de ligação, de desejo atômico.

Óxidos e halogênios, todos têm sua canção,
Um coro sutil de atrações, de amores elementares.
Ela vê o hidrogênio, tão leve, tão solitário,
Mas com um poder de atrair, de unir,
Assim como as palavras unem pensamentos,
Em um mar de elétrons, as distâncias encurtadas.

Flávia, na serenidade do jardim, compreende
Que não há solidão nos átomos, mas um constante
Anseio por ligação, uma dança cósmica
Escrita nos números de Pauling, na tabela que ela estuda
Com olhos de poeta e coração de cientista,
Sentindo, na essência dos elementos, a essência de si mesma.

Assim, entre cálculos e flores, ela descobre
A beleza do invisível, do que não se vê mas sente,
Uma harmonia silenciosa que une tudo
Neste universo de força e fragilidade.

(Victor Venas)

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

DIA INTERNACIONAL DO GATO

Hoje o dia é deles! Se vc é tutor(a) de muitos ou uns como eu, deixe aqui sua homenagem nos comentários!



quarta-feira, 24 de julho de 2024

AT HOME

"O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora", disse-me o terapeuta após saber de minha mudança de localização imobiliária. A frase é de Mia Couto e demorei pra assimilar seu sentido. Mas a questão é muito simples: onde é que eu me sinto "em casa"?

"Os sonhos em cada época da vida são diferentes", segundo canta Guilherme Arantes, que passou por uma grande mudança de ares novamente e falou sobre: "a decisão de vender a chácara foi motivada pela dinâmica da vida. Ele afirmou que, embora tenha resolvido outras questões em prol de seus sonhos, estes permanecem vivos em locações igualmente incríveis."

Eu tinha o objetivo de morar próximo ao meu trabalho e assim por anos procurei um imóvel. Até que deu certo um terreno e foram anos de cartório, arquiteto, engenheiro e pedreiros. Muita luta, muito desgaste pra se ter algo confortável e programado pra o futuro. Mas eis que veio a pandemia e mudou tudo, inclusive meu ponto de vista sobre moradia. Ouvi muito: "mas Flávia, é o seu sonho, não desista!". Mas quem disse que uma casa era meu sonho? O tempo passou, eu mudei e minhas necessidades são outras. Desapeguei, não faz mais sentido e meu coração não está lá. 

Meus pais envelheceram e eu escolhi estar perto, ficar junto, curtir o que eles tem ainda pra dar de carinho, risadas e auxiliá-los nas lutas do cotidiano. Comprei a casa vizinha, diferente 100% da outra, mas que atende às minhas demandas de gateira, irmã, amiga, tia e filha. E tá tudo certo! "Há muitas coisas além de querer ser feliz..."


terça-feira, 16 de julho de 2024

O QUE EU POSSO SER PRA VOCÊ?



Agora, bem aí, aonde você está
Sozinha, olhando pro mar
Se o mundo parece não se mover
O que eu posso ser pra você?

Um atalho pra casa, 
uma folha no vento
O gesto gentil de alguém
Um agasalho quando escurecer
O que eu posso ser pra você?

Se nada anda, tenha paciência
Retribua se alguém te sorrir
Cante uma canção pro seu bem-querer
O que eu posso ser pra você?

Um dia em Provença
Perto de Brignoles
O primeiro homem a pisar no sol
Só pra ver
O gelo da dor derreter
O que eu posso ser pra você?
É o que eu quero saber

(Um dia em Provença - Paralamas do Sucesso)

segunda-feira, 15 de julho de 2024

INFJ - O APOIADOR

“Trate as pessoas como se elas fossem o que deveriam ser e você as ajudará a se tornarem aquilo que são capazes de ser.” (Johann Wolfgang Von Goethe)

PRA TE ESPERAR EU VEJO TV

"Sonho, odisséia, magia, lógica, poesia, dor, Éden, unidade, alegoria, toque, amplidão, semente, linguagem, alimento, futuro, aura, espelho, via, eterno, átomo, matéria, nada, arte, tudo somos na insanidade exata do amor!" (Baile - Djavan)

PS: Erika e Marisa, saudades do tempo em que trocávamos versos de canções ou letras inteiras nos corredores da UFS. Viver era mais fácil e a gente nem desconfiava das responsabilidades que o futuro nos traria.