quinta-feira, 4 de outubro de 2012

TEMPO DE CARAIBEIRAS

Antigamente, as palavras, os consolos, desabafos e futilidades seguiam por cartas. Mas em tempos de comunicação instantânea, apresso esse alento à iminente Dra.Mércia Valéria para que ela creia que nem todos são iguais, que mesmo que alguns covardes machuquem nosso coração, o ideal permanece como o sol brilhando todos os dias, ainda que as nuvens o encubram de vez em quando nas tempestades.

Um provérbio russo diz: "não existe inverno no reino da esperança". E não existe mesmo! Hellen Keller, cega-surda, relatou assim um dos inúmeros conselhos da sua mestra Anne Sullivan: "falou-me da vida que se forma dentro de nós e que tende a renovar-se sem a nossa contribuição, sarando as suas próprias feridas, trazendo esperança ao coração e tornando mais aguda a nossa visão mental". "E por que não aconteceria isto a mim como já tem acontecido a tantas pessoas?" dizia ela. E o que passou, passou! As caraibeiras tem que perder todas as folhas para nos presentear com esse espetáculo de dar inveja a qualquer roseira. Assim também somos nós, que temos que perder para ganhar mais vida, mais lucidez e enxergar no fim que não perdemos nada, pois nossa vida está nas mãos Daquele que nos salva e nos guarda, nos livra e nos alimenta em tempos difíceis.

domingo, 16 de setembro de 2012

RESILIÊNCIA



Segundo a Wikipédia, resiliência é um conceito psicológico emprestado da Física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse etc. - sem entrar em surto psicológico. No entanto, Job (2003), que estudou a resiliência em organizações, argumenta que a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades.

Então, como valer-se da ética, da resiliência adquirida e cerrar os lábios para não revidar num ambiente em que me sinto num exército de um homem só no difícil exercício de viver em paz, de fazer meu trabalho em paz, de executar o que acho da forma como acho melhor em paz? Como viver o coletivo quando o individual não é respeitado? Numa época em que fala-se tanto de direitos e deveres, ainda paira velado ou descarado o preconceito de escolaridade, de cor, de gênero, de porte físico, entre outros absurdos de um mundo que se diz globalizado. Se eu soubesse que ser servidora pública numa escola federal era como viver num campo de batalha, eu teria seguido carreira no militarismo (e desejaria a maior patente, é claro!), porque pelo menos assim eu teria guerras de verdade para enfrentar.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

GUARDE O CORAÇÃO



Era uma vez um rei distante que ainda vive num castelo lá pras bandas de São Paulo, em algum lugar escondido. Ele tem o dom e o diploma de Comunicação, ama cinema e até escreve umas críticas, ama música boa e detona comigo as subcelebridades que aparecem para atordoar nossos ouvidos. Eu não sei tudo sobre ele, mas ele chegou e ficou na minha vida através das cartas virtuais e dos amigos em comum. Nos poucos encontros que tivemos, fiz passeios culturais e gastronômicos maravilhosos dignos de uma rainha. A gente se apoia, mesmo à distância e ele sabe que pode contar comigo sempre que precisar. Se nossos emails fossem publicados teríamos que sair fugidos do país,rs. Ele precisa passar logo num concursão pra gente explorar o mundo e dar muita risada dos costumes toscos que existem por aí (muitos aeroportos aguardam seus pés). Ele é o segundo paulista de quem sou fã, e dedico Pão do meu paulistano-mor Guilherme Arantes para que ele tenha fé e aguarde com paciência a colheita que vai chegar!

Num momento já não basta sermos jovens, termos tempo
Os sonhos em cada época da vida são diferentes
O amor não é mais a única procura da gente
Há muitas coisas além de querer ser feliz
Crianças vão crecendo e dão outro sentido ao prazer
O privilégio de fazer o pão
No cansaço de cada dia não há espaços gratuitos
E as velhas vaidades perderam seu lugar
Grandes revoluções acontecem
Lentamente, silenciosamente

Ao menos não estamos atolados nos mesmo erros
Já temos provas muito claras do que não queremos
E agora já não incomodam as opiniões
Há muitas coisas além de querer ser feliz.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

PLAY READER

Não curto muito autoajuda, mas reconheço que em momentos difíceis eu acabei consumindo esse tipo de produto. Assim surgiu e aumentou minha vontade de me conhecer, conhecer o outro para tentar entender motivações, implicações obter explicações das atitudes de algumas pessoas. Esses livros também me ajudam quando seguem a linha junguiana e vai usando simbologias, mitos e exemplos muito fáceis de identificar ao nosso redor, e que nos ajuda a sofrer menos e de forma consciente, me conduzindo ao ramo da psicologia para leigos.

O primeiro deles foi O Sucesso é Ser Feliz de Roberto Shinyashiki. Faz tanto tempo que hoje se encontra facilmente em pdf na rede. Aprendi e reforcei o porquê das escolhas, as perdas e ganhos e porque desperdiçamos tanto tempo lamentando quando poderíamos estar virando a página. Na época, o cara era "o autor", e ao lado dele os livros de autoajuda exotéricos encharcavam as prateleiras.

Seguindo a linha de Jung, fui apresentada a dois clássicos de Robert A. Johnson, He e She, a chave do entendimento da psicologia masculina e feminina, respectivamente. Fantásticos e com uma linguagem simples, me fez entender mesmo muuuuuuuuuuita coisa. He trata da análise da psique masculina a partir do mito de Parsifal, um dos vinte e quatro cavaleiros que partem em busca do Graal. A história de Parsifal contém os grandes marcos da vida psíquica do homem e é um reflexo da interioridade masculina. Complementando, She parte do mito de Eros e Psique para analisar a psique feminina; o livro é uma fonte relevante para ambos os sexos, em particular o masculino, que encontra no trabalho de Johnson a dupla oportunidade de entender mais as mulheres - mãe, irmã, amiga, companheira - e ampliar seu conhecimento próprio ao analisar sua psique pelo aspecto feminino.

Mudando de autoria, anos mais tarde, sedenta de mais explicações convincentes sobre comportamento alheio e próprio, descobri Anselm Grun em O Céu Começa em Você, onde fala sabiamente que nossos entulhos são nossos pedagogos e dá-lhe explicações baseadas na sabedoria dos monges do deserto. Mas, voltando ao comportamento homem / mulher, conheci duas pérolas assim que foram lançadas. O primeiro foi Lutar e Amar: como os homens encontram a si mesmos, o qual discorre sobre dezoito figuras bíblicas masculinas, cujos arquétipos auxiliam os homens contemporâneos a reencontrar a si mesmos e ter acesso à sua própria força, indicando um caminho para que possam averiguar a sua identidade. Em suma, fala dos conflitos do machão e do homem soft, impotente em sua crise de identidade em um mundo que nivelou mais um pouco o papel do homem e da mulher. A continuação foi Rainha e Fera: mulher, viva o que você é, onde ele descreve com o auxílio de sua irmã Linda Jarosch e através de quatorze arquétipos bíblicos a rainha e a fera, mostrando para as mulheres o caminho para a cura das feridas produzidas pelas falsas imagens e ajudando-as a encontrar sua totalidade.




















Se eu fosse descrever cada um desses livros com minhas próprias impressões, levaria muito tempo e alguns posts. Por isso, recorri aqui a algumas colaborações da web, mas posso dizer que esses livros são fontes de constante aprendizado até hoje. Suas ideias não se tornaram anacrônicas com o passar do tempo, ao contrário de muitos livros que já doei. Eles me ensinaram a lidar com meus erros, com os erros dos outros, a amenizar e entender palavras, atos e omissões vividos em relacionamentos, a viver com lucidez e a buscar uma justificativa tanto para uma relação agradável e positiva quanto para relações difíceis e sem perspectiva de melhoras. Me ensinaram a me aceitar e aceitar os outros como são, e a mergulhar no entendimento de que "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

OS DIÁRIOS DE ETTY HILLESUM

Ela não desejava fugir ao destino do povo judeu; acreditava que só poderia fazer jus à vida se não abandonasse os que estavam em perigo e se usasse sua energia para trazer luz à vida de outros. Contemporânea de Anne Frank, Etty morreu aos 29 anos em Auschwitz em novembro de 1943. Seus diários publicados sob o título "Uma Vida Interrompida" revelam a transformação gradual de uma moça independente, preocupada com os prazeres mundanos, numa mulher de profunda coragem física e espiritual.

 “Quando rezo”, escreve ela, “mantenho um diálogo tolo, ingênuo ou tremendamente sério com o que existe de mais profundo dentro de mim, que eu, por conveniência, chamo de Deus.”  E mais tarde: “E isto provavelmente expressa da melhor maneira meu sentimento frente à vida: eu descanso dentro de mim mesma. E aquela minha parte, a mais profunda e mais rica na qual repouso, é o que eu chamo de Deus.”
“O ódio indiscriminado é a pior coisa que existe; é uma doença da alma. O ódio não se coaduna com minha natureza.”
“A vida é difícil, é verdade, uma luta de minuto a minuto, mas a própria luta é emocionante. Antigamente eu viveria caoticamente no futuro, porque me recusava a viver no dia-a-dia...eu recusava galgar o futuro dando um passo de cada vez. E agora, agora que cada minuto está tão cheio, tão transbordante de vida, de experiência, de luta, de vitória e de derrota, e de mais luta, e às vezes de paz, agora eu não penso mais no futuro, isto é, não mais me importo se “terei sucesso” ou não, porque agora tenho a certeza íntima de que tudo se resolverá a seu tempo. Antes eu vivia sempre por antecipação; tinha a sensação de que nada que fazia era a coisa “real”, que tudo era uma preparação para alguma outra coisa, algo “maior”, mais “autêntico”. Mas esse sentimento desapareceu de mim completamente. Agora eu vivo a hora e a ocasião, este minuto, este dia, integralmente, e a vida vale a pena ser vivida. E se soubesse que iria morrer amanhã, eu diria: é uma grande lástima, mas valeu a pena enquanto durou.”
"A vida não pode ser capturada em uns poucos axiomas. E isto é exatamente o que eu vivo tentando fazer. Mas não funciona, pois a vida é cheia de infinitas nuances que não podem ser capturadas em apenas umas poucas fórmulas."
"Meu Deus, tomai-me pela mão, eu Vos seguirei obedientemente e não resistirei demais. Não evitarei nenhuma das tempestades que a vida me reserva, tentarei fazer face a todas elas da melhor forma que eu puder. Mas de vez em quando concedei-me um breve repouso. Jamais julgarei de novo, em minha inocência, que qualquer paz que me advenha será eterna. Aceitarei todos os inevitáveis conflitos e lutas. Delicio-me com o calor e a segurança, mas não me rebelarei se tiver que sofrer frio, se Vós assim o decretardes. Seguirei onde Vossa mão me levar e tentarei não ter medo. Procurarei distribuir algo de meu calor, de meu verdadeiro amor pelos outros, onde quer que eu vá. Mas nós não devemos nos orgulhar de nosso amor pelo próximo, pois não podemos estar seguros de que ele realmente existe. Não desejo ser nada especial, apenas quero ser fiel àquela parte de mim que procura cumprir sua promessa. Às vezes imagino que anseio pela reclusão conventual, mas sei que devo procurar-Vos no meio do povo, no mundo exterior.”

terça-feira, 28 de agosto de 2012

NÃO DEU NA TV!



# Marjorie Estiano voltará a atuar em breve, como nos outros anos, e certamente também nos próximos anos, ao lado de Camila Rouca Pitanga.

# Paula Fernandes devia ter nascido no mar, segundo minha mãe ao assistir a abertura de Criança Esperança. Onde o decote dela quer chegar? Ela pretende conquistar quem com aquela obsessão por espartilhos? Seria ela a nova mulher tanajura?

# A Record cuidou das Olimpíadas, o SBT cuida de Carrossel e a Globo cuida do mensalão. Menos mal!

# Por falar em Record, quem conhece ou reconhece alguém do Curral aspirante a Fazenda? Anônimo por anônimo, é por isso que o povo ainda prefere os BBBial da Globo!

# Rodrigo Inodoro fareja a cada sábado o que fazer para melhorar O Pior do Brasil. Seria aquilo um revival do Chacrinha?

# Solicitei ao meu primo de 6 anos que relatasse uma cena de Carminha e Nina. Entediado com o pedido insistente, ele disse mansamente numa manhã de domingo: amanhã passa tudo em Video Show!

# Por falar em Video Show, está mais do que provado na nova Malhação que Mocotó é melhor como geléia do que como um imitador das caras e bocas dos Caras de Pau.

# Laranja Lima S.A. achou que era um roqueiro famoso e emblemático ao despedaçar a guitarra em uma festa popular. Estaria insatisfeito com o cachê ou ele entendeu que não tem mais conteúdo para substituir o canto do acasalamento da cabrita?

# Michel Filó conseguiu ficar tão transparente na propaganda da Brahma que demorei umas 5 chamadas para entender que ali era o dito cujo, em interjeições e falta de melanina.

# Luan Santana declarou ao Fantástico que pretende se casar lá para os 32 anos. Certamente, daqui pra lá ele já será pai, usará um gel no cabelo e será mais um usuário expulso da Decadência Som Preso. E olha que lá em Brasília eu encontrei um CD dele colado na parede do Bar Amnésia. Alguém mais duvida da minha previsão?

# Saiu há uns 2 meses no msn: "Arrasado com o divórcio, Tom Cruise completa 50 anos". Alguém pode me explicar o que uma coisa tem a ver com a outra? 


domingo, 26 de agosto de 2012

CONSTELAÇÃO



Coisa rara no mundo cada vez mais disfarçado de social e afetuoso codificado nas redes sociais, é achar quem se dirija a nós de forma direta e que realmente se importe com nossa vida. Seja através de um torpedo, um telefonema a qualquer hora, um email curtinho ou mesmo um "fulano mandou lembranças", é muito bom ser lembrado e até mesmo cobrado pelos amigos.

Ainda me entristeço (coisa boba!) com ligações não retornadas, sumiços sem explicações, emails não respondidos (porque não versam sobre o mundo fútil do facebook ou do twitter), mesmo quando a pessoa parou e escolheu cada palavra que ia digitar. Lembro muito de Renato Russo, quando canta: "quem está ao teu lado? Quem para sempre está? Quem para sempre estará?"

Mas, seguindo a linha tradicional, tive um grata surpresa hoje ao abrir o email e encontrar 4 "Olá!" de amigas íntimas e muito queridas: Cristiane Sobral, Janaína, Vera e Mayara. Amigas de 12 a 1,2 anos de amizade que me escreveram cobrando minha presença, partilhando suas vidas e lembrando nossa amizade. Elas estão distantes, mas quando estivemos juntas vivemos momentos muito divertidos, difíceis ou profundos, que marcaram nossas vidas. Pessoas generosas, sensíveis, sinceras, que mesmo com marido, filhos, emprego, faculdade, pesquisa, missões religiosas, ainda tem tempo para escrever a um amigo. Elas sabem que eu as considero como irmãs e que as amo de verdade, que desejo todo bem e toda graça do Senhor para suas vidas. Elas sabem que ainda sou a mesma, apenas com mais diplomas e mais cultura, mas a mesma Flávia que para tudo para se dedicar a um amigo.

Elas sabem ainda que amo as imagens e que escolhi essa aí em cima, porque ela traz a solidez da casa de pedras e o perfume do campo de lavanda, para lembrar que nossa amizade é firme como a rocha e suave como um abraço. Elas sabem também que amo as palavras, e para matar a saudade das mensagens e palavras de apoio ou de ocasião, doadas sempre que eu estava inspirada, deixo-lhes um trecho de Anne Sullivan (mais um!), a famosa professora-amiga que transformou a vida de Hellen Keller:

"Adaptemo-nos ao momento presente. Semeemos sem contar os grãos. Sejamos úteis ao próximo. Convertamos os sentidos que possuímos em benéfica energia. Pensaremos então menos em nos defender contra as circunstâncias e mais em fazer brilhar o sol à nossa volta - e eu talvez consiga tornar sublimes as minhas experiências e compreenda a ciência das alegrias e tristezas com as quais são tecidos os nossos dias".

PS: Por falar em Renato, o Lira me mandou Nara Leão "para nossa alegria" e deleite musical! Obrigadão!