segunda-feira, 27 de agosto de 2018

TÔ NA BAD COM MARINA (LIMA)!


Continuando a sequência das prediletas, foi dificílimo selecionar as 5 bests da bad com Marina. Ela é a mestra do pop brasileiro e sua parceria com o irmão e poeta Antônio Cícero rendeu os maiores sucessos da cantora, entre discos, hits e trilhas sonoras especiais. Mesmo as do lado B são "música, letra e dança" para tirar qualquer coração do luto afetivo.

A primeira canção pop que ouvi no rádio e no Globo de Ouro foi Uma noite e meia (1987). Minhas tias cantavam eufóricas, até porque anos 80 = consolidação do pop rock através dos festivais, e depois de Rita Lee, só quem encarou a disputa num ambiente generalista foram Marina e Paula Toller. Eu grudava nelas querendo aprender as letras "subversivas", porque uma moça do interior cantar "essa noite eu quero te ter" era quase uma blasfêmia, pra não citar o restante do refrão. Antes dessa veio a abertura de Roda de Fogo com Pra Começar (1986), que eu literalmente só podia assistir à abertura, pois criança não via novela das nove (rs), e a não menos dançante À francesa (1989) da novela mais amada da minha aborrescência: Top Model! E foi assim, de tia em tia, que eu cheguei na primeira da lista:

1-NÃO SEI DANÇAR (1991): estava na casa se uma tia brincando com minhas primas enquanto minhas tias assistiam à novela Perigosas Peruas e discutiam sobre a letra. Não sei por quê, mas acho que esta música combinaria muito mais com a Vera Fisher em uma novela das nove. Eu não entendia nada, mas amava ouvi-las dissecando a letra e vendo o desenrolar do drama da personagem.


"E tudo que eu posso te dar

É solidão com vista pro mar

Ou outra coisa prá lembrar
Se você quiser
Eu posso tentar, mas...
Eu não sei dançar
Tão devagar
Pra te acompanhar..."


2-ACONTECIMENTOS (1991): do mesmo álbum de Eu não sei dançar, Acontecimentos marcou minha passagem pela república feminina NRF-03, patrocinada pela UFS em 1999. A maioria das meninas moraram em cidades próximas e iam para casa nos finais de semana. Então, quando eu me via só aos sábados era inevitável não lembrar dessa música. E mesmo que eu não lembrasse, o rádio fazia questão de tocar enquanto em convertia solidão em estudo. Aquela velha e recorrente sensação de que o mundo se diverte num sábado à noite, menos você...Mesmo assim, foi o ano mais feliz da minha vida naquela cidade.


"Eu espero
Acontecimentos
Só (aqui) que quando anoitece
É festa no outro apartamento"

3-VIRGEM (1987): acho que Virgem se configura como a obra prima maior da dupla de irmãos talentosos. Faz parte do álbum homônimo da virginiana, trazendo também os sucessos Uma noite e meia e Preciso dizer que te amo, que na minha opinião supera a versão de Cazuza. Eu tinha uma colega de faculdade mais madura que vivia um relacionamento sério, e que me disse que essa era sua música favorita de Marina. Mas, eu na minha imaturidade musical nunca entendia muito a relação do título com a letra, embora gostasse da canção. Anos depois, morando no Rio, tudo fez sentido, e ainda hoje sou tão fã que Virgem vai ganhar uma postagem exclusiva em breve.

"As coisas não precisam de você
Quem disse que eu
Tinha que precisar"

4-O CHAMADO (1994): só conheci essa música muitos anos após seu lançamento, e a sensação que tenho é que nem todas as que foram parar em trilhas sonoras teve a devida atenção das rádios. Similar a Virgem, O Chamado também faz parte de um álbum homônimo atemporal lançado em 1993, sendo a canção incluída na trilha sonora da novela das sete Quatro por Quatro. Mais uma vez a impressão de que ela deveria estar numa novela das nove, pelo arranjo e letra profundos demais para o estilo comédia pastelão non sense. O Chamado é aquela canção que eu ouço muitas vezes naquelas horas em que, contra toda esperança, preciso acreditar que algo melhor está por vir.

"Céu abriga o recado
Que é pra eu me guardar
Mudanças estão por vir
Esperar ser proclamado
O grande final,
O grande final feliz!"

5-NO ESCURO (2001): integra o álbum Setembro (mês de nascimento da cantora) e fez parte da novela O Clone, marcando minha chegada ao Rio. Letra típica de fim de relacionamento e linda demais para um personagem raso interpretado por Juliana Paes, mas pelo menos rendeu bons momentos para minha audição no meio daquele caos que eu precisava encarar diariamente.

"E no decorrer dos meses
Já não sei mais quem eu sou
E a pessoa
Refletida
No espelho
Dos seus olhos
Por onde foi que entrou?"

6- BÔNUS: DEIXE ESTAR (1998): costumo dizer que letras de dor rendem mais que as de amor, e nessa pegada Deixe Estar também foi parar na TV, na série policial Labirinto (quem?). Foi também minha trilha sonora pessoal de uma grande mudança de vida, incluindo cidade, concurso e relacionamento. Aquele momento "bem vindo à vida adulta de verdade", que me possibilitou mais consumo de cultura em geral. Deixe Estar não é somente mais uma canção sobre fim de relacionamento, mas algo que inicia com um "aceita que dói menos", e que mesmo na dor aponta para uma última chance de retorno. Será?

"Deixe estar vai passar
Com sorte
Tudo, tudo vai ser breve
(...)
Mas se você resistir
E teimar e fugir
Não se assuste se tudo enguiçar
A engrenagem do amor
Pode ser traiçoeira
E vingar"



*Tem mais fãs e outras aqui:

http://enthulho.blogspot.com/2010/09/tema-de-novela-especial-dossie-marina.html

http://e10blog.blogspot.com/2013/07/no-tema-e-na-trilha-da-marina-lima.html




quarta-feira, 22 de agosto de 2018

TÔ NA BAD COM KID ABELHA!


Um dia cheguei na aula e vi uma aluna toda down, pra baixo, com fone de ouvido com cara de estar escutando uma sad song. Quando a indaguei, a resposta foi: tô na bad, prof!  Depois fiquei pensando nas músicas que gosto de ouvir quando tô na bad, ou refletindo demais pensando nas perdas e ganhos, no crush que se foi, no que quase deu certo. E aí quando toca aquele musicão no rádio é curtir e deixar pra lá as expectativas sobre o futuro. 

Entre n opções, ninguém mais atemporal do que Kid Abelha para me dar aquele help nessas horas e pra começar esta série. São poucas as canções escolhidas, mas são ao mesmo tempo incisivas e suaves, com letras simples e diretas.


1-GRAND' HOTEL (1991): me lembra as vezes que a gente quer tudo de uma vez só, e tudo se acaba mais rápido do que a gente esperava.

"Se a gente não fizesse tudo tão depressa,
Se não dissesse tudo tão depressa,
Se não tivesse exagerado a dose,
Podia ter vivido um grande amor."

Segundo a colaboração Googliana, a inspiração veio do filme Grand' Hotel com a atriz Greta Garbo, outrora mencionado pela vocalista. Outros dizem que  “Grande Hotel” é uma referência à revista Grande Hotel, da década de 50, pioneira em fotonovelas, cuja característica principal era sempre o famoso final feliz.  Faz todo sentido!

2-EM NOVENTA E DOIS (1993): aquela fase em que o crush dá uns perdidos, e que causa aquela angústia/insônia de pensar que alguma concorrente está no jogo. Em 1992, com certeza era mais fácil sumir, enquanto hoje altas DR's são fomentadas pelas famigeradas buscas nas redes sociais.

"No telefone, só uma notícia, ah
Num telegrama, uma poesia
Mande um recado com um abraço forte
Num bilhetinho deseje boa sorte"

Atualmente, seriam mensagens inbox, um emoji, um "bom dia", um email no último caso.

3-GOSTO DE SER CRUEL (1991): essa é praticamente a declaração do desespero, a última jogada nos acréscimos, restando só o apito do juiz e a aceitação. Mas a música é numa pegada mais rock e dá pra dar um up e sublimar a dor.

"Sou capaz de gritar
E de te ofender
De me machucar
Mas não de te esquecer
Sou capaz de chorar
Ser ridícula até não agüentar"

4-SOLIDÃO QUE NADA (1994): lançada em 1987 por Cazuza, a letra dele em parceria com George Israel ficou tão boa quanto na voz da Paula Toller. É mais light, pra fase alone ser vivida de boas, no mantra "com ou sem tá tudo bem".

"Viver é bom
Nas curvas da estrada
Solidão que nada
Viver é bom
Partida e chegada
Solidão que nada"

5-AMANHÃ É 23 (1987): a introdução já mostra a que veio a diva do pop rock brasileiro, que parece estar intacta em algum creme mágico e antioxidante. Na minha interpretação livre, sempre acho que vem de uma relação mal resolvida entre mãe e filha. Para reforçar minha tese, poderia até ter sido composta em alusão à própria história de vida dela, pois aqui* menciona o fato dela ter sido abandonada pela mãe e criada pelos avós paternos. Não sei se foi viagem demais pensar isso, mas curiosamente 23 de agosto é a data de aniversário dela. Vai saber...

"Amanhã é 23
São 8 dias para o fim do mês
Faz tanto tempo
Que eu não te vejo
Queria o seu beijo
Outra vez"


PS: Depois que fiz o post lembrei que o primeiro show grande que fui na vida foi o deles, com Keyla e Rita no extinto Augusto's em Aracaju. Então, tá tudo certo!rs

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

HÁ DEZ ANOS ATRÁS...

Direto da Ilha de Paulo Afonso-BA para a longínqua Ilha do Fundão-RJ, mais precisamente no PEMM-COPPE na UFRJ. Minha gratidão ao Prof.Miranda e às Super Orientadoras Eliane, Dalva e Lílian, e a todos os técnicos e amigos que muito me auxiliaram na obtenção desse título.


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

DIA INTERNACIONAL DO GATO


Amados por uns e odiados por outros, só quem tem um, ou "uns" como é o meu caso sabe dizer o quanto eles sempre nos surpreendem. Seja escolhendo um novo point da casa para dormir, ou tendo crises de carência ou de ciúmes, gatos são seres independentes, exigentes e ao mesmo tempo indiferentes. Mas, quem se deixar cativar e souber conquistar um deles ganhará de graça, ou em troca do melhor lugar da casa, sessões manhosas de gatoterapia e a mais criativa e dorminhoca companhia.

terça-feira, 31 de julho de 2018

ELEMENTAR, MEU CARO WATSON!


"Minha vida é passada num longo esforço para escapar das trivialidades da existência. Esses pequenos problemas me ajudam nisso." (Sherlock Holmes)


sexta-feira, 27 de julho de 2018

AS COISAS DE MOACIR SANTOS


O saxofonista, arranjador e maestro Moacir Santos afirmava que "o jazz é sofisticação, é excelência". Ao se mudar para os Estados Unidos em 1967, lembra que, antes de chegar àquele país, ele chegou a imaginar que o músico americano era de outro planeta, devido ao nível elevado de sua produção. "Chegando lá, no entanto, observei que tanto o melhor quanto o pior músico estavam lá trabalhando e ganhando dinheiro". A propósito da opção curiosa de nomear suas músicas simplesmente com o substantivo coisa (Coisa nº 1, Coisa nº 2 etc.), ele recorda que a mania nasceu na casa do parceiro Vinícius de Moraes, no Rio de Janeiro, onde também estavam Baden Powell e Alaíde Costa: "íamos fazer uma gravação com o baterista americano Jimmy Pratt e o engenheiro de gravação perguntou o nome da música e eu respondi que era uma coisa. Aí me ocorreu a idéia de enumerá-las", conta o maestro, confessando que na época em que foi aluno do alemão Hans-Joachim Koellreuter, também já falecido, ele sentia uma verdadeira inveja dos eruditos que nomeavam suas peças de opus. "Como a minha música é popular, troquei o opus por coisa", concluiu.


By Baden Powell e Jimmy Pratt




By Zimbo Trio



Fonte: http://jornalggn.com.br/blog/jota-a-botelho/o-encontro-de-baden-powell-e-jimmy-pratt