quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

74 ANOS BEM VIVIDOS


Que venham os próximos com muita saúde, encontros e amor, e muitas aventuras só pra não perder o costume. Te amo, painho!

BÊNÇÃOS DISFARÇADAS


"Tudo, aliás, é a ponta de um mistério. Inclusive, os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo."

Ouvi esse trecho do conto O Espelho de Guimarães Rosa numa novela e fiquei pensando no que escrever sobre, já que tantas vezes na minha condição humana procuro explicações ou sinto-me entediada. É como se eu estivesse no fim da jornada letárgica e sofrida da pandemia e começando a ver o horizonte com mais nitidez, numa perspectiva de ontem, hoje e amanhã. 

Passando a vida a limpo, relembrei as pessoas amigas com quem reatei contato, os pequenos ganhos e os avanços nas relações interpessoais. Respirei aliviada pelas que quiseram sair da minha vida e agradeci a Deus, mesmo sem entender, a princípio. Aceitei melhor as dualidades do cotidiano, as interrupções da jornada respeitando meu tempo de absorção ou adsorção das boas ou confusas marés de acontecimentos, com suas ausências imprevisíveis e admiti que perder o controle é a coisa mais comum que há. Continua...


segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

O CANTO LIVRE DE NARA LEÃO

Não sou conhecedora da obra inteira de Nara Leão, mas por ela estar presente nos registros da Bossa Nova como moradora do famoso apartamento, e ter rompido com o movimento para explorar outras camadas é que me interesso pelos documentários sobre ela.  

Já assisti ao Ensaio e ao Por Toda Minha Vida, e agora estou concluindo O Canto Livre de Nara Leão, que como alguns jornais da época já registraram, mostram que ela cantou o que teve vontade, namorou quem quis e falou sobre o que deu na telha em inúmeras entrevistas.

No terceiro dos cinco episódios da série, Chico Buarque lê o que escreveu para o disco Vento de Maio (1967), o que resume um pouco do que ela era e seria até o fim de sua trajetória. 

"A primeira vez que vi Nara Leão achei que ela era a Musa, minha e da bossa nova. Depois, Nara foi se desmusando, se desmusando... Cortou curto os cabelos, meteu uns blue-jeans e saiu por aí. Mais romântica, menos intimista, gritou umas verdades no teatro. As verdades ficaram no teatro e Nara foi para a televisão. Levava a sua verdade e a música brasileira para o grande público."

sábado, 22 de janeiro de 2022

ADEUS 21/VEM 22

Pesquei esse checklist de um planner dado a uma adolescente. Estava no final do caderno com título de Minhas Memórias. No final do ano eu bem que revisei alguns tópicos da minha vida, mas achei isso aqui tão bem bolado que resolvi brincar de responder, só pra registrar o que ficou de 2022 seja bom ou ruim.

# Momentos inesquecíveis: ver minha sobrinha Isabela dar os primeiros passos.

# Pessoas especiais: todos os amigos com quem mantive contato nos momentos de dor e perda de entes queridos e conhecidos pra Covid.

# Minha música: foram muitas, mas vou destacar Nature Boy na voz de Nat King Cole. 

# Fiz pela 1° vez: dormi com gatos. 

# O que deixou meu ano mais animado: acompanhar o crescimento e as descobertas de Bibi Perigosa e Zeca. 

# Perdi o medo: de dormir com gatos.

# Filme ou série que amei: O Mentalista.

# Livro que indico: Ouvindo Estrelas de Marco Mazzola.

# Lugares favoritos: Suspiro de Mãe, único lugar que passei a ir com amigos após a segunda dose da vacina.

# Decisão importante: dizer não aos convites para sair antes da segunda dose sem me importar com a reação alheia.

# Gratidão do ano: ter chegado ao final do ano.

# Uma conquista marcante: manter o controle emocional para não adoecer por causa dos outros.

# Ficou pra trás: amizade que era prestação de serviço.

# Evoluções: fazer um ano de Pilates pela manhã. 

# Vou levar para 2022: só o que me faz bem.

domingo, 2 de janeiro de 2022

ENQUANTO REESCREVEMOS NOSSAS VIDAS

"A vida parece estar se movendo depressa demais para a maioria de nós, e temos a impressão de que não conseguimos seguir suas curvas e prever seus acontecimentos. Planejar movimentos e continuar leal às metas traçadas parece ser um empreendimento cheio de riscos, assim como fazer planos a longo prazo está cada vez mais perigoso. É como se a vida fosse dividida em episódios. A conexão entre esses episódios só parece possível (se é que é possível) quando se faz uma leitura retrospectiva. As preocupações e apreensões em relação ao sentido e ao destino são abundantes, embora difíceis de suportar. E também os muitos prazeres que um mundo cheio de surpresas e uma vida pontuada por novos começos pode proporcionar." 

(Zygmunt Bauman)

sábado, 6 de novembro de 2021

TELENOVELAS

Ontem estava na minha noite de baby sitter e perdi o final de Império. Horas depois passou uma propaganda dos momentos finais e me dei conta que ainda existe a clássica da reprise no sábado. Eu poderia até rever no serviço de streaming, mas ver TV em família foi algo que voltei a fazer na pandemia. Aproveitei a deixa para relembrar o que ficou ou como era ver a novela há anos atrás.

Em primeiro lugar, criança não podia ver TV até tarde, muito menos certas cenas. Mas não adiantava porque no dia seguinte um ou outro coleguinha contava na escola. Lembro da expectativa que era assistir a abertura no primeiro dia, olhar o nome dos atores e atrizes e a dinâmica do "voltamos a apresentar", "cenas do próximo capítulo" e outras frases-chave que atiçavam a curiosidade e fidelizavam o público. 

Quem tinha condições de comprar Contigo sabia um pouquinho mais sobre a trama e a intimidade dos artistas, e quem não tinha se contentava em especular ou catar algum dado no Vídeo Show. Quando a novela era em outra emissora aí só era esperar o recreio pra ficar por dentro, caso perdesse um dia.

Quem nunca sobre moda, ditados, aulas de direito e economia, envenenamento e desmaios, etc, vendo novela que fale agora ou cale-se para sempre. Os nomes dos atores a gente gastava brincando de "Cidade e Pessoa" e a trilha sonora a gente copiava da tia que comprava a revistinha de violão ou anotava rapidinho ouvindo rádio ou vendo Chacrinha. Inclusive, a Som Livre foi uma sacada da Globo por causa do sucesso que as canções faziam e o quanto vendiam. 

Quanto às tramas depois de um tempo tudo fica óbvio e mais do mesmo: núcleo pobre, núcleo rico, núcleo comédia, erros de continuidade, sotaques, gírias chiclete. É tudo tão previsível que a gente perde uma semana ou só vê as propagandas e já sabe de tudo. 

Registro aqui um salve todo saudoso para Tieta, A Gata Comeu, Top Model, Vamp e Mulheres de Areia, da fase que eu ainda achava que tudo era novidade e curtia até o vale a pena ver de novo.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

SESSÃO PERFUMARIA (II)

"Um perfume é exclusivamente uma emoção!" 

(Alberto Morillas)

Ah, o maravilhoso mundo dos perfumes! Se tem uma coisa que amo são esses queridinhos desde criança. Nos últimos meses, dediquei uma parte do meu tempo a ver resenhas, descobrir mais e resgatar a memória olfativa e afetiva que os aromas me trazem. Como no Youtube, os perfumólatras usam muitos termos estrangeiros, fiz uma coletânea dos que aprendi, e segue também essa indicação de um dicionário perfumado para quem quiser aprender mais.

# 1 - Dupe - vem da palavra em inglês "duplicate", e seria a nossa versão, imitação ou genérico. Após a internet, descobri que 90% dos perfumes nacionais são inspirados nos internacionais, e alguns eu acho até melhores por serem mais adequados ao nosso clima tropical.

# 2 - Blind - ouvia muito "dei um blind" nisso ou naquilo, e esse foi fácil de saber que é compra às cegas. O fato é que hoje a gente lê a pirâmide olfativa, ouve resenhas beeem tendenciosas ou mal feitas mesmo e fica na curiosidade de comprar. O problema é que perfume x pele x gosto é algo muito complexo e o ideal é provar 1, 2 ou 3x antes de comprar. Para isso, tem a opção a seguir.

# 3 - Decant - tinha uma certa desconfiança sobre a qualidade dessa via mercadológica, mas deixei de lado meu preconceito, pesquisei bastante e adquiri alguns. Vieram super bem embalados e lacrados e foi uma excelente oportunidade de experimentar fragrâncias que só indo loja por loja, marca por marca ou nos importados eu teria oportunidade de adotar ou passar adiante (descartar nunca!).

# 4 - Discovery Set - adquiri um desses para fazer, como a marca promete, uma "jornada completa de experimentação". Nada mais é que um kit de amostras de 4 mL, algo que as marcas tem feito com algumas linhas e seus flankers.

# 5 - Flanker - termo usado para as variações ou lançamentos da mesma linha, tipo a coleção que vai se desenvolvendo ao longo dos anos e que possui o mesmo DNA.

# 6 - Tester - testador disponível nas lojas. Em geral, a cada x produtos são feitos alguns para esse fim embalados em um cartucho sem propaganda, mas o povo não perde tempo e põe ilegalmente os testers à venda quando o produto esgota.

# 7 - Coffret - do francês "caixa", é o nosso famoso kit perfume + sabonete + hidratante + o que couber.

# 8 - Fraîche - são versões mais leves, com baixa concentração, tido como "a prima pobre" de uma determinada marca de perfumes.

# 9 - Layering - li um ou outro comentário que dizia "fiz layering", que significa camada. É uma técnica para poucos, pois trata-se de sobrepor camadas de perfume e não apenas misturá-los.

# 10 - Perfume de Nicho - existe a marca, o luxo e o nicho, certo? Pois NICHO poderia ser definido por 5 palavras = nariz, ingrediente, cliente, heterogênea, ostentação. A exclusividade é um quesito fundamental nesse segmento e tá na cara que não é pra todo mundo.