quinta-feira, 26 de março de 2026

MINHA MÃE CARIOCA

Sabe quando a gente revira papéis numa gaveta e encontra um pedaço com algo escrito por uma pessoa muito querida? Foi o que aconteceu comigo ontem. Fui conferir a data de aniversário numa agenda antiga e lá estava o dia dela, 26 de março, e um papel com números de telefone. Na hora só pensei em guardar de lembrança, pois não temos uma foto juntas, embora ela seja minha mãe carioca e uma super amiga que tanto cuidou de mim no Rio.

Era 2002 e eu estava fazendo mestrado e me sentindo muito sozinha, morando novamente em casa de parentes e sem conhecer ninguém no bairro. Uma amiga psicóloga sergipana "telefonou" e notou, sem eu dizer uma palavra, que eu não estava bem. Na mesma noite um primo dela ligou, se apresentou e marcou pra gente sair. E dessa saída veio o convite pra um evento da igreja mais adiante, onde a providência disfarçada de coincidência fez com que Cleber, aspirante a seminarista, me levasse em casa e me apresentasse ao padre Paulo Hamurabi. Este, recém chegado à Paróquia de Santa Rita de Cássia, me convidou para o serviço paroquial e eu fiquei de pensar. 

Como o cenário não mudava e o estranhamento e o choque cultural persistiam, decidi fazer uma experiência na Pastoral do Batismo após ver uma celebração bem diferente das que já tinha visto. E como eu vou sempre atrás do que eu quero, fui na secretaria que me indicou o "Manel" do bazar, que indicou uma certa Dona Márcia. Lá vou eu bater palma na casa de uma completa estranha e me apresentar. E o papo que era ela dentro de casa e eu a uns 4 metros depois na calçada foi melhorando e encurtando a distância, até que um dia ela abriu o portão e eu fiquei na varanda, e alguns encontros depois finalmente adentrei na sala. É como eu costumo dizer: são os estágios do carioca, que depois que lhe aceita te considera da família. 

E assim eu fui ficando, participando das festas, aprendendo expressões que eu não esqueço como "mentirinha santa" e "voz de Taquara rachada", pra não falar das inesquecíveis receitas de bolo Hulk, a sopa de entulho, a farofa de biscoito e o pão dormido que ela me dava. Foi ela quem me ajudou quando eu precisei urgentemente de um novo teto e Deus novamente quis me dar um presente, fazendo com que a dona da casa dos fundos de Márcia, Delei e Juliana cedesse e alugasse a casa para uma estudante baiana. Foi o ano e meio mais feliz da minha estadia no Rio. Nos víamos todos os dias e tinha até uma grade nos fundos que a gente economizava a passada e ficava trocando figurinha até tarde da noite. 

Por tudo que você foi na vida de muitos, sei que você está em um bom lugar, minha querida Márcia cujo sobrenome "Generoso" estava impresso no DNA dessa alma nobre que me acolheu e que me amparou quando eu mais precisei. E como costumávamos brincar, se a vida lhe oferecer flores, escolha as rosas sem espinho do jardim da Dona Márcia!

domingo, 1 de março de 2026

RUA PRIMEIRO DE MARÇO

Hoje olhei a data no celular e lembrei de uma rua que frequentei por 6 anos e meio, que leva o nome do título dessa postagem, mas que já se chamou Rua Direita. Definitivamente, esse é um dos meus lugares preferidos no Rio de Janeiro, que eu chegava vindo da Uruguaiana ou da Presidente Vargas e saia perambulando até alcançar a Rua do Ouvidor, que abrigava uma enorme Livraria Saraiva.  Nessa andança, percorria apenas do CCBB ao Paço Imperial, avistando a imponente Alerj ao lado deste. 

O rolê começava na primeira sede do Banco do Brasil ou no já citado CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), perpendicular à Igreja da Candelária, onde assisti a inúmeros concertos, mas nunca me arrisquei a seguir para as bandas do Mosteiro de São Bento, onde só em grupo fui a um concerto de harpa num domingo ermo. Loucuras que eu fazia confiando no meu anjo da guarda, rs. Fechando a tríade tem antiga sede da Alfândega, posteriormente Casa França-Brasil e atual Casa Brasil, onde a programação cultural gratuita completava o primeiro bloco do passeio.

Seguindo em direção ao Paço Imperial, local do histórico Dia do Fico e da assinatura da Lei Áurea, via algumas igrejas sempre fechadas. Somente uma vez vi a igreja da Sé aberta para o casamento de uma celebridade. Do ponto de ônibus, esquina da Praça XV, onde  eu pegava o 298 Castelo-Acari via a movimentação dos fotógrafos e dos curiosos, mas era só isso mesmo. Diferente de tantas que há no Centro do Rio, nunca as vi abertas para visitação ou algum rito católico comum, salvo a Igreja São José que só entrei já perto de me despedir da cidade maravilhosa. 

(Em construção)